El Niño: NOAA declara início do fenômeno climático
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou nesta quinta-feira (8 de junho de 2023) o início do fenômeno climático conhecido como El Niño. Com essa declaração, espera-se que as temperaturas atinjam níveis recordes em diferentes regiões do mundo em 2024. A agência meteorológica norte-americana registrou temperaturas acima da média no Oceano Pacífico em maio, o que indica o início do fenômeno.
O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Essa diferença de temperatura entre a superfície dos oceanos e a atmosfera enfraquece e diminui a velocidade dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste. Esses fatores combinados, ventos mais fracos e temperaturas mais altas das águas, causam mudanças no transporte de umidade de uma região para outra do planeta. Como resultado, a distribuição de chuvas em regiões tropicais altera-se, e isso consequentemente leva diferentes áreas experimentam temperaturas mais altas ou mais baixas.

El Niño 2024: O que esperar do próximo ciclo do fenômeno e suas consequências
De acordo com o comunicado da NOAA, além disso, há uma probabilidade de 56% de que esse El Niño seja forte e provoque eventos climáticos extremos, como chuvas intensas e secas severas, no início de dezembro de 2023. A probabilidade de ser moderado é de 84%.
O oposto do El Niño é o La Niña, que ocorre quando as águas do Oceano Pacífico estão mais frias do que o normal. Esse fenômeno também causa mudanças na dinâmica atmosférica, resultando em temperaturas mais altas ou mais baixas em diferentes regiões.
A expressão “El Niño” significa “menino” em espanhol. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no Brasil, o nome se origina das águas quentes que surgem na costa do Peru durante o Natal. Os pescadores peruanos e equatorianos chamaram esse efeito de Corriente de El Niño, em referência ao “Niño Jesus”. Desde 1986, foram registrados oito eventos El Niño, sendo três de intensidade fraca, quatro moderados e um muito forte. O evento mais intenso ocorreu em 1997, com pico em dezembro desse ano e enfraquecimento entre fevereiro e abril de 1998.
Durante a primavera e verão de 1997, o Brasil enfrentou chuvas intensas no Sul, apesar disso o Nordeste e a Amazônia receberam menos chuvas durante a estação chuvosa que durou de fevereiro a maio.

Estudo revela perdas globais de trilhões de dólares e impactos econômicos devastadores
Diferentemente de estudos anteriores, uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Dartmouth, nos Estados Unidos, avaliou os custos de longo prazo do El Niño, que podem persistir por vários anos após a ocorrência do fenômeno. Eles analisaram as consequências dos eventos ocorridos em 1982-1983 e 1997-1998, dois dos mais intensos registrados. Os resultados revelaram perdas globais de renda de US$ 4,1 trilhões (R$ 20 trilhões) e US$ 5,7 trilhões (R$ 28 trilhões), respectivamente.
El Niño pode desencadear o resfriamento subsequente das águas do Oceano Pacífico, conhecido como La Niña, sendo considerados os efeitos negativos do El Niño e os benefícios do La Niña na análise. Danos econômicos: perdas agrícolas por secas, redução da pesca, custos com inundações e aumento de doenças tropicais, como dengue.

Os impactos do último EL Niño na climatização mundial
O último ciclo do El Niño, em 2014-2015, elevou as temperaturas globais em 2016. A OMM prevê atraso nos piores efeitos desse ciclo, que serão sentidos em 2024.
No Hemisfério Norte, o aumento da temperatura das águas favorece a formação de furacões no Pacífico, enquanto dificulta sua ocorrência no Atlântico. Nas últimas semanas, alguns países potencialmente afetados pelo fenômeno começaram a emitir alertas de chuvas em determinadas regiões.
Impacto econômico global pós-fenômeno: atividade desacelera por mais de cinco anos, afetando países equatoriais (Brasil, Equador, Indonésia) com perdas de 5% a 19% no PIB.
OMM alerta para aumento de temperatura e possibilidade de dois anos de calor intenso
A OMM afirma que há grande probabilidade de o El Niño ocorrer em breve, tradicionalmente associado ao aumento de temperaturas, resultando em pelo menos dois anos de calor intenso. Entre 2015 e 2022, presenciamos os oito anos mais quentes registrados na história.
Relatório: 60% de chance de desenvolvimento do El Niño antes de julho, com probabilidade de 80% até setembro, alertam especialistas. Previsões: aumento de temperaturas e estiagem no Norte/Nordeste, e excesso de chuvas em partes do Sul do Brasil.




