Novas imagens dos atos criminosos de 8 de janeiro faz primeira queda em ministério e aumenta força da CPI

GSI: imagens mostram ministro liberando manifestante e divulgação de imagens deixa governo sem saída fazendo com que criação de CPI seja inevitável

A divulgação das novas imagens das câmeras de segurança do Palácio do Planalto que mostram o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Edson Gonçalves Dias, orientando os invasores do prédio sobre a saída, ao invés de prendê-los, foi uma bomba que explodiu no governo. O vídeo do circuito interno, que foi revelado pela CNN Brasil, traz novas informações sobre o ocorrido em 8 de janeiro, aumentando a força da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os atos criminosos e fazendo com que o governo aceitasse sua criação.

Os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram minimizar a participação dos invasores, colocando a narrativa de que seus adversários foram corresponsáveis pela falta de segurança que possibilitou a invasão dos prédios, as novas imagens do circuito interno do Palácio do Planalto que mostram o Ex-ministro do GSI orientando manifestantes a deixar o prédio, reforçam essa versão dos fatos, tornando inevitável a criação da CPMI.

O governo, que vinha tentando retirar as assinaturas de apoio à criação da CPMI, aceitou a derrota e passou a apoiar a iniciativa. O presidente Lula e seus líderes no Congresso endossaram o pedido para refutar a narrativa de que estariam tentando esconder algo. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que esse assunto já está amadurecido no núcleo político do governo, e a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), também saiu em defesa da criação da CPMI.

Contudo, essa mudança de posição dos petistas foi criticada por parte da base aliada. Em reunião convocada às pressas pelo líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), os deputados da base foram convidados a assinar o requerimento para a criação da CPMI. Alguns deles criticaram a estratégia e a falta de eficiência do Executivo em convencer os parlamentares a retirarem suas assinaturas do requerimento, mesmo após mais de um mês tentando através de promessas de cargos e pagamento de emendas.

Um dos pontos que mais irritou os deputados da base, como MDB e PSD, é que eles foram atacados por semanas nas redes sociais por não assinarem a CPMI e o PT mudou de postura sem dialogar com eles. Após o fim da reunião, ficou decidido, segundo Guimarães, que os partidos da base do governo não assinariam a CPMI, mas “vão ser os primeiros a indicar os integrantes” se o presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), criá-la na próxima semana.

A expectativa do governo agora é contar com a maioria dentre os participantes da CPMI. Os representantes dos partidos serão indicados de acordo com o tamanho dos blocos partidários. Os líderes dos maiores blocos, neste momento, são governistas – Felipe Carreras (PSB-PE) assinará as indicações de PSDB, PP e União, por exemplo.

A intenção do governo é convencê-los a enviar para a comissão parlamentares mais alinhados ao Executivo e deixar os oposicionistas fora. Com a maioria, seria possível controlar a lista de convocados e quebras de sigilos. 

Em suma, a divulgação das imagens dos atos criminosos de 8 de janeiro que mostra o ex-ministro do GSI liberando manifestantes, aumentou a força da CPMI e fez com que o governo aceitasse a criação da comissão. No entanto, a mudança de posição do PT em relação à CPMI não foi bem recebida por alguns membros da base aliada. Agora, é importante que a CPMI seja independente e investigue todos os envolvidos nos atos golpistas

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