Inicia quarta reunião do CoPoM para definir a taxa juros básicos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou hoje, em Brasília, a quarta reunião do ano para determinar a taxa básica de juros, conhecida como Selic. Mesmo com a recente queda da inflação, espera-se que o Copom mantenha a política monetária restritiva, mantendo a Selic em 13,75% ao ano.
Ontem, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os juros deveriam ter começado a diminuir em março. Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tem criticado os juros, afirmando que o nível atual da taxa Selic prejudica os investimentos e que não há justificativa para mantê-la tão elevada.
Apesar de ter parado de subir em agosto do ano passado, a taxa básica ainda está no patamar mais alto desde o início de 2017, e a desaceleração da economia já demonstra os efeitos da política monetária restritiva.
A última edição do boletim Focus, uma pesquisa semanal com analistas de mercado, indica que os analistas esperam a manutenção da taxa básica em 13,75% ao ano pela sétima vez consecutiva.No entanto, o mercado financeiro estima que a Selic termine o ano em 12,25% ao ano. A decisão do Copom será anunciada amanhã, ao final do dia.
Copom reforça cautela na decisão sobre taxa de juros
Na ata da última reunião, realizada em maio, o Copom afirmou que a decisão sobre a taxa de juros requer paciência e cautela. Novamente, o Copom ressaltou a possibilidade de aumentar a taxa Selic, embora seja um cenário menos provável. O Banco Central considera que a aprovação do arcabouço fiscal pode contribuir para o equilíbrio das contas públicas, o que afeta as expectativas de inflação.
Após uma alta no início do ano, as expectativas de inflação têm diminuído. Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2023 foi revisada de 5,42% para 5,12%.
Em maio, impulsionado pela queda nos preços dos combustíveis e dos artigos de residência, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma variação de 0,23%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o indicador acumulou alta de 2,95% no ano e 3,94% nos últimos 12 meses, um percentual inferior aos 4,18% acumulados até o mês anterior.
Taxa Selic
As negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) utilizam a taxa básica de juros, que também serve como referência para outras taxas da economia. Em outras palavras: É o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC realiza operações de mercado aberto diariamente, comprando e vendendo títulos públicos federais, para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, busca-se conter a demanda aquecida, o que tem reflexos nos preços, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Dessa forma, taxas mais elevadas também podem dificultar a expansão da economia. No entanto, além da Selic, os bancos levam em consideração outros fatores na definição dos juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, espera-se que o crédito fique mais barato, incentivando a produção e o consumo, o que reduz o controle da inflação e estimula a atividade econômica.
O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, ocorrem apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas da economia brasileira e mundial, assim como o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, composto pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
Meta de inflação
Para 2023, o Banco Central persegue uma meta de inflação de 3,25%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior é 4,75%. Para os anos de 2024 e 2025, as metas são de 3% com o mesmo intervalo de tolerância. Neste mês, o Banco Central definirá a meta para 2026.
No último Relatório de Inflação, divulgado no final de março pelo BC, a autoridade monetária reconhece a possibilidade de ultrapassar a meta de inflação neste ano. Segundo o relatório, estima-se que o IPCA alcance 5,8% em 2023. O próximo relatório será divulgado no final deste mês.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




