Caixa interrompe a cobrança de Pix para empresas
Pix: A Caixa anunciou ontem, terça-feira (20), que interrompeu a cobrança de Pix para empresas. A regulamentação do sistema previa a cobrança às pessoas jurídicas desde sua implementação, mas provavelmente o governo ajustará a comunicação para evitar danos à imagem do presidente atual.
A suspensão foi feita após um pedido do presidente, conforme divulgado anteriormente pelo ministro da Casa Civil. Segundo o ministro, a decisão será discutida na próxima semana, após o retorno de Lula de sua viagem oficial à Europa.
“O pedido foi para suspender temporariamente [a decisão da Caixa] até que o presidente volte na semana que vem”, disse Costa em uma breve entrevista aos jornalistas. “Então vamos aguardar o retorno do presidente para avaliar essa medida. Foi o próprio presidente quem pediu.”
Em comunicado, o banco afirmou que a suspensão “tem como objetivo ampliar o prazo para que os clientes possam se adaptar e receber ampla orientação do banco sobre o assunto, devido à proliferação de informações falsas que geraram especulações”.
Cobrança
Rui Costa, ministro da casa civil, afirmou ter conversado com a presidente da Caixa, Rita Serrano. Segundo o ministro, ela ficou surpresa com a repercussão da medida, uma vez que os outros bancos cobram tarifas pelo uso do Pix por pessoas jurídicas, com autorização do Banco Central (BC).
“A informação que ela [Rita Serrano] me passou foi que todos os bancos já cobram essa taxa das empresas jurídicas. Em outras palavras, a Caixa era o único banco que não cobrava devido a questões técnicas e de tecnologia”, explicou. “Ela não esperava que a decisão da Caixa em seguir os outros bancos tivesse esse alcance e repercussão.”
Na noite de segunda-feira (19), a Caixa anunciou o início da cobrança do Pix para pessoas jurídicas a partir de 19 de julho. No entanto, o banco desmentiu informações falsas de que pessoas físicas também seriam tarifadas.
“Isto é, A Caixa não cobra tarifa pelo uso do Pix de seus clientes pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI) e beneficiários de programas sociais”, destacou o comunicado.
O banco também enfatizou que a cobrança pelo uso do Pix por empresas está autorizada desde a criação da ferramenta, em novembro de 2020, e que oferecerá uma das menores tarifas do mercado.
Pix é o principal meio de pagamento para microempreendedores individuais
O Pix, sistema de pagamento mais utilizado pelos brasileiros, tem se tornado cada vez mais essencial para o funcionamento dos pequenos negócios. Ou seja, de acordo com a terceira edição da pesquisa “Pulso dos Pequenos Negócios”, realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 52% dos microempreendedores individuais (MEI) consideraram o Pix como o principal meio de receber pagamentos.
Mesmo com as taxas de manutenção consideradas altas pelos MEI, o cartão de crédito ocupa o segundo lugar na preferência. Ou seja é o meio mais utilizado por 20% dos microempreendedores. Em contrapartida, o dinheiro aparece em terceiro lugar, com 12%.
Entre as micro e pequenas empresas, que têm um faturamento anual de R$ 82 mil a R$ 4,8 milhões, o Pix divide a preferência com o cartão de crédito. Ambas as modalidades são mencionadas como o principal meio de recebimento de recursos por 27% dos negócios. Em contrapartida, no segundo lugar estão os boletos, com 18%.
Em relação aos MEI, o percentual de microempreendedores que consideram o Pix como principal modalidade de recebimento de recursos aumentou em relação à primeira edição da pesquisa, publicada em agosto do ano passado. No entanto, segundo o Sebrae, os baixos custos em comparação com as maquininhas de cartão e a rapidez nas transferências consolidam o Pix como uma ferramenta essencial para essa categoria.
No entanto, de acordo com o Sebrae, fatores que estão aumentando a preferência pelo Pix nos pequenos negócios são a dispensa de preocupação com troco, a facilidade de controle financeiro e a praticidade na tomada de decisões de gerenciamento de fluxo de caixa, como o pagamento de fornecedores. Em alguns casos, os empreendedores estão oferecendo descontos para clientes que utilizam o Pix.
Contudo, nas micro e pequenas empresas, a situação é um pouco diferente. Segundo o Sebrae, o cartão de crédito ainda é usado devido à possibilidade de parcelamento das compras ou pagamento da fatura uma vez por mês. Mesmo com as taxas cobradas pelas maquininhas, os micro e pequenos empresários continuam oferecendo essa modalidade.
Dados da Pesquisa
Microempreendedor Individual (MEI)
Pix – 52%
Cartão de crédito – 20%
Dinheiro – 12%
Cartão de débito – 6%
Boleto – 4%
DOC/TED – 2%
Outro – 5%
Micro e pequenas empresas
Pix – 27%
Cartão de crédito – 27%
Dinheiro – 6%
Cartão de débito – 8%
Boleto – 18%
DOC/TED – 9%
Outro – 5%
Preocupações
A pesquisa também questionou quais são as principais preocupações dos proprietários de pequenos negócios. O aumento de custos liderou as menções, citado por 38% dos entrevistados (MEI e micro e pequenos empresários). Apesar de ser a maior preocupação, houve uma redução de quatro pontos percentuais em relação à primeira edição da pesquisa.
Em segundo lugar está a falta de clientes, que passou de 24% em agosto para 31% agora. No entanto, segundo o Sebrae, o aumento está relacionado ao aumento das taxas de juros e ao endividamento das famílias. Isso ocorre porque as altas taxas de juros desaceleram o consumo e aumentam a preocupação dos proprietários de pequenos negócios em relação à demanda, o que supera a preocupação com os maiores custos.
A pesquisa mostrou que o receio da falta de clientes tem impedido os empreendedores de repassarem os aumentos de custos aos consumidores. Apesar disso, embora 78% tenham relatado aumento nos gastos com insumos, combustível, aluguel e energia nos últimos 30 dias, 49% não repassaram o impacto para os clientes, 41% repassaram parcialmente e apenas 8% repassaram totalmente os maiores custos. Um total de 2% não soube ou não respondeu.
Em agosto do ano passado, 76% dos proprietários de pequenos negócios reclamavam do aumento de custos. Dentre esses, 43% não repassaram os custos, 47% repassaram parcialmente e 9% repassaram totalmente.
A combinação da queda no número de clientes e dos maiores custos afetou o faturamento dos pequenos negócios. De acordo com a pesquisa, 42% relataram queda nas receitas em comparação com o mesmo período do ano passado. Em contrapartida, apenas 25% tiveram aumento no faturamento. Em média, o faturamento caiu 10%. Dos 22 setores analisados, mas, apenas dois estão faturando mais este ano: indústria alimentícia e serviços empresariais.
A terceira edição da pesquisa “Pulso dos Pequenos Negócios” foi realizada de 24 de abril a 2 de maio, por meio de um formulário online. No total, 7.537 empreendedores dos 26 estados e do Distrito Federal participaram do levantamento. Apesar disso, A pesquisa tem uma margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




