Devendo a mais de 8.000 nomes, o rombo nas lojas Americanas passa de R$41,2 bilhões
Entender como ficam as ações das lojas Americanas depois do rombo bilionário, tornou-se essencial para muitas pessoas. Afinal, não se trata só de quem investe, mas também daqueles que pensam em investir na renda variável.
Saber como as ações se comportam diante de um rombo milionário, e até mesmo da recuperação judicial, é importante. Portanto, se isso acontecer com outra empresa e em uma situação parecida, é possível ter uma ideia sobre como agir.
Chegou a hora de entender como as ações das lojas Americanas se comportam e ter indicações sobre o que pode acontecer. Além disso, também será mostrado como investidores têm se unido para minimizar os prejuízos.

Como as ações das lojas Americanas têm se comportado em meio ao caos que o grupo passa nesse momento?
De acordo com a CNN e outros veículos de informação, a dívida da Lojas Americanas chega a R$43 bilhões. Muito disso se deve às inconsistências contábeis que ocorreram durante anos e impactaram diretamente a operação.
Com tantos credores, a companhia tem obrigações a negociar e se viu presa a um cenário de muita incerteza. Dessa forma, é preciso entender melhor esse cenário e depois conferir o impacto nas ações das lojas Americanas.
Rombo bilionário
O rombo surgiu devido a um problema que a empresa tinha na hora de registrar as dívidas com bancos e fornecedores. Na verdade, a empresa compra mercado de fornecedores e quita essa dívida com o banco, antes de fazer a venda.
Isso significa que o fornecedor recebe e só depois a companhia repassa o valor para a instituição bancária com juros. Trata-se de algo interessante, porém, o registro não foi feito corretamente, pois a empresa cometeu o seguinte erro:
- O registro não era feito como dívida financeira e sim como uma dívida com o fornecedor;
- Como a dívida com fornecedores não tem juros, o rombo surge justamente desse erro, uma vez que as dívidas com bancos possuem juros.
Com o passar dos anos, a dívida acumulada foi de bilhões e ainda há um agravante: muitas delas possuem condições variáveis. Em outras palavras, os juros cresceram, os prazos caíram e tudo isso fez o valor final ultrapassar os R$40 bilhões.

Quantidade de credores absurda
A quantidade de credores da Americanas não contempla apenas o setor privado, mas também o público a nível estadual e municipal. Segundo uma matéria do portal de notícias G1, a quantidade de credores se aproxima dos 8 mil.
Assim que a crise estourou, três empresários ofereceram R$6 bilhões para auxiliar a empresa a se recuperar. No entanto, as instituições bancárias acharam pouco e pediram R$10 bilhões, o que foi descartado.
Detalhe: há vários investidores menores que aportaram dinheiro na empresa, e esses são os que estão mais preocupados. Esse foi um dos fatos que fez com que as ações das lojas Americanas caíssem na bolsa de valores.
Impacto nas ações
O impacto no valor das ações é considerável, principalmente se comparar com o mesmo período de 2022. Para exemplificar melhor, veja a seguir um comparativo entre esses períodos, entendendendo como o cenário ficou:
- No dia 01 de fevereiro de 2022, cada cota custava R$31,09.
- Já na data do dia 30 de janeiro de 2023, cada cota custa R$1,45.
A desvalorização é absurda, pois, de acordo com o Google Finanças, chega a mais de 95%. Por outro lado, os dados também demonstram uma recuperação em curso, como o cenário a seguir mostrará:
- No dia 20 de janeiro de 2023, a cota chegou a custar R$ 0,71;
- Na data do dia 30 de janeiro de 2023, o valor subiu para R$1,45.
Fica claro que a valorização é superior a 104% e mostra que a empresa está se recuperando. Contudo, resta saber se isso é momentaneamente ou vai ser algo que se tornará comum, assim é preciso observar os fatos.
Por ter grandes empresários por trás e pessoas com biografia de sucesso, alguns investidores podem continuar com ativos da empresa. Quem optar por esse caminho, precisará ter paciência e apostar em uma recuperação a longo prazo das Lojas Americanas.

Grupos de investidores se unem e buscam seus direitos na justiça
Alguns grupos de investidores minoritários decidiram se unir e, em seguida, entraram com ações contra a Lojas Americanas. Embora seja algo incomum e não exista segurança jurídica, é um caminho que deve ser cada vez mais frequente.
O maior problema, segundo informações da InfoMoney, é que o mais comum é que as empresas processem seus administradores, de acordo com a Lei das Sociedade Anônimas, porém é preciso aguardar para conferir o que irá ocorrer.
Funcionamento das lojas segue o mesmo
O impacto nas ações das lojas Americanas já foi explicado, porém será que todo esse cenário irá atrapalhar o funcionamento das unidades? A resposta é não, inclusive o Procon de SP procurou a empresa e obteve essa resposta.
O órgão de defesa do consumidor levantou informações inerentes aos últimos dias e chegou à conclusão de que não existiu alteração significativa. Assim, para os compradores e quem utiliza o marketplace para vender, fica essa certeza.
Processo de recuperação judicial
O processo de recuperação judicial nada mais é do que uma renegociação com bancos e fornecedores. O objetivo é tentar descontos, alongar os prazos de pagamento e isso pode durar meses ou até mesmo anos.
Um fato curioso é que as Lojas Americanas também são donas de outras lojas, como, por exemplo: a loja de conveniência BR Mania. Por mais que leve tempo, o mais importante é que a recuperação judicial aconteça.
O impacto nas ações das lojas Americanas aconteceu e por isso o investidor deve analisar bem o risco de prosseguir com os investimentos. Desse modo, o ideal é variar a carteira e buscar um certo nível de segurança nos ativos.




